quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Teólogo sugere que evangélicos deixem homossexuais em paz



O teólogo presbiteriano Juan Stam, hoje vivendo na Costa Rica, propôs às igrejas evangélicas uma moratória, de cinco anos, para que elas analisem com calma o assunto da homossexualidade, deixem os homossexuais em paz e se fixem em outros temas mais importantes e evangélicos.

Pautada pelas alas conservadoras da Igreja Católica e denominações evangélicas, a homossexualidade entrou com força nos debates durante campanha à presidência da República deste ano. O tema ficou bem demarcado pelas balizas da moralidade, amparado por versículos bíblicos.

Faria muito bem para nós recordar que as mesmas passagens bíblicas denunciam a avareza – os avarentos não entrarão no Reino de Deus. “O Novo Testamento diz muito mais contra a avareza e a cobiça do que contra a homossexualidade”, destaca Stam.

A guerra homofóbica está causando dano à igreja, sustenta o teólogo. Evangélicos parecem estar presos a uma obsessão pelos temas sexuais, “como se fossem os únicos problemas críticos de nosso tempo e como se deles dependesse o futuro da igreja e da civilização.”

Esse tema domina, de modo a cansar, o discurso de políticos protestantes. Ele indaga, por exemplo, por que igrejas evangélicas e católica não se uniram para organizar marchas contra as guerras do Iraque e do Afeganistão? Ou em protesto contra o golpe de Estado em Honduras e, agora, contra o regime repressivo do seu governo?

Por isso, as igrejas evangélicas “carecem de autoridade moral para que suas campanhas anti-homossexuais sejam convincentes”, afirma, agregando: “Suas arengas contra a homossexualidade caem no ridículo ante os setores pensantes e críticos da população e, às vezes, cheiram a oportunismo e hipocrisia”.

O evangelho, lembra o teólogo, não vive da negação, mas das boas novas. Na América Latina, evangélicos têm se destacado por serem anti: anticatolicismo, anticomunismo, antiecumenismo e agora anti-homossexualidade. “O evangelho é o ‘sim’ e o ‘amém’ de Deus; quando o negativo domina a Igreja, ela está doente”, sustenta.

O viés religioso sobre o homossexualismo, que apareceu na campanha política, deixou de lado dados preocupantes e assustadores para quem defende o valor último da vida. De 1980 a 2009, o Grupo Gay da Bahia contabilizou 3.196 assassinatos de homossexuais no Brasil, uma média de 110 por ano.

O Paraná é o Estado mais homofóbico do país, ao lado da Bahia, e seguido por São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais e Alagoas. No ano passado, foram mortos 15 travestis, oito gays e duas lésbicas no Paraná. Entre travestis e transsexuais, 70% já sofreram algum tipo de violência naquele Estado.

O ex-presidente do Grupo Gay da Bahia, o antropólogo Luiz Mott, frisa que a maioria dos crimes contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transsexuais (LGBT) é motivada por “homofobia cultural”.

A comunidade LGBT luta pela aprovação do projeto de lei, em tramitação no Congresso nacional, que criminaliza a homofobia. O presidente da Associação Brasiléia de LGTB, Toni Reis, destaca que o maior empecilho para a aprovação da lei é a oposição de grupos religiosos conservadores.

Ele afirma, contudo, que a reivindicação da comunidade LGBT não é o casamento religioso, mas a união civil. Reis menciona, em matéria no Brasil de Fato, que 53 países têm legislação específica contra a homofobia, dentre eles o Uruguai, a Argentina, a Colômbia e o México.





Fonte : Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC)

Quem são vocês ?


Um breve recado. Gostaria de conhecer um pouco sobre vocês, leitoras e leitores. No lado direto do blog há uma pesquisa com o seguinte título: VOCÊ SE CONSIDERA.....

Logo abaixo, coloquei várias opções religiosas, assim como não me esqueci do ateísmo e do agnosticismo.


Por favor, respondam.
Abraços

Jesus: mitológico ou histórico? Sobretudo, literário



Apesar de não ter deixado nenhum documento escrito de próprio punho – assim como Sócrates – Jesus Cristo não tem sua existência questionada – diferente do que acontece com o filósofo grego. Trata-se de uma das figuras históricas sobre as quais mais documentos se tem na literatura – seja ela “oficial” ou de ficção. Pelo critério da múltipla confirmação, a partir do relato de sua vida feito por diferentes autores que nunca se viram, ele de fato existiu. Por um lado, é tido como um revolucionário histórico assassinado por se auto-proclamar o Rei dos Judeus dentro dos domínios de um ainda poderoso Império Romano. Por outro, é um semi-deus mitológico cujas glórias foram cantadas por legiões de admiradores, tal como o Ulisses das epopéias gregas. Seja de ficção ou não, literatura sobre ele é o que não falta.

De acordo com a historiadora Eliane Moura Silva, da Unicamp, os fatos da vida de Cristo são relatados de passagem em alguns textos antigos, como a Vida dos Judeus, de Flávio Josefo, que viveu entre os anos 37 d.C. e 103 d.C., porém de forma pontual e não muito extensiva. Segundo ela, há estudos que revelam ser verdadeiras muitas das referências históricas contidas nos Evangelhos do Novo Testamento, que tratam da vida de Cristo, mas que também foram escritos posteriormente. “Trata-se de período conhecido da história do Império Romano, embora a Judéia [onde Jesus viveu] não fosse a principal preocupação nem a província romana mais importante na época”, afirma.

Uma dessas referências históricas é o reinado de Herodes Antibas, durante o qual Jesus nasceu. Como esse reinado acabou quatro anos antes do marco zero do calendário cristão os pesquisadores são praticamente unânimes em afirmar que o nascimento de Jesus se deu, na verdade, entre os anos 6 a.C. e 7 a.C.. Outra unanimidade é que nenhum pesquisador, atualmente, atribui ao Santo Sudário valor histórico para provar a existência de Jesus. Uma pesquisa iniciada pelo brasileiro Carlos Chagas Filho, que foi Decano da Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano, datou o tecido tido como Santo Sudário como sendo do século VII, não podendo ter sido usado para cobrir o rosto de Cristo em sua crucificação.

Luis Carlos Susin, da Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul (RS), também menciona os textos literários como os principais documentos históricos de que os pesquisadores dispõem para o estudo do período em que Cristo viveu. Segundo ele, através do encadeamento de uma literatura secundária – sobre os relatos bíblicos – e estudos de evolução histórica das línguas nas quais foram escritos o Antigo Testamento (hebraico) e o Novo Testamento (grego), é possível ter bases científicas para os fatos em torno de Jesus narrados na Bíblia.“A arqueologia ajuda na confirmação e na contextualização, mas permanece muda, sem documentos literários”, acredita Susin.

Israel Finkelstein, diretor do Instituto de Arqueologia da Universidade de Tel Aviv, em Israel, diz que sua área de pesquisa é a única que fornece dados novos em relação ao que já se conhece sobre os fatos relatados na Bíblia. Uma das recentes descobertas arqueológicas foram as ruínas de um antigo local de peregrinação religiosa, cuja datação indicou que ele teria sido construído por volta do século III d.C. Essas ruínas estavam nas margens do rio Jordão, onde Jesus teria sido batizado por João Batista, segundo o relato bíblico. Outros achados arqueológicos são os restos de um barco e de uma casa que teria sido de um dos discípulos de Jesus, em Cafarnaum, uma aldeia de pescadores onde ele começou a pregar.

O historiador André Chevitarese, do Laboratório de História Antiga da UFRJ e do Núcleo de Estudos Estratégicos, da Unicamp, explica que existem dois tipos de pesquisa arqueológica relacionada a fatos bíblicos. Uma é fundada nas religiões judaico-cristãs, com viés religioso, tentando provar a veracidade da Bíblia, e político, tentando provar que as terras da região de Israel sempre pertenceram aos judeus. A outra vertente parte de relatos como os do Velho Testamento para procurar, por exemplo, restos arqueológicos materiais em regiões descritas pelo texto bíblico, sem uma finalidade prévia de comprovar ou refutar a Bíblia.

Parece existir uma contradição entre a narrativa dos Livros dos Reis, que fala de Salomão, e o que foi encontrado pelos arqueólogos”, exemplifica Chevitarese. Segundo ele, não havia nenhum vestígio de construções suntuosas datadas do século X a.C., época em que teria reinado Salomão. “As grandes construções que os relatos bíblicos atribuem ao período fazem parte de um discurso ideológico para valorizar Salomão em relação a outros reis. Isso significa que devemos ter cautela sobre a literatura da época”, avalia.

Outro achado importante, que mobilizou arqueólogos, historiadores, filólogos e cientistas da religião, foram os pergaminhos encontrados em vasos de cerâmica nas cavernas de Qumram, próximas ao Mar Morto. Esse material, que pôde ser visto no Brasil em exposições no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, e na Pinacoteca de São Paulo, inclui pedaços de manuscritos originais de textos do Velho Testamento – correspondente à Torá judaica – e textos de reflexão dos essênios, que explicam por que essa comunidade de judeus foi para o deserto viver segundo suas tradições: eles haviam brigado com os sacerdotes do Templo de Jerusalém, que segundo eles, haviam violentado as leis da Torá. Apesar de nada informarem sobre Jesus ou o cristianismo, esses documentos revelam que um judeu celibatário, como Cristo, não era tão incomum assim naquele período.

Para o arqueólogo israelense, os relatos do Antigo Testamento – que narram desde a criação do homem até a longa travessia dos judeus pelo deserto antes de sua chegada à terra prometida de Canaã – são uma mera coleção de mitos e epopéias literárias criados a partir do século VII a.C. E o teólogo James Veitch, diretor do Programa de Estudos Religiosos da Victoria University of Wellington, na Nova Zelândia, diz o mesmo inclusive a respeito dos Evangelhos do Novo Testamento que, segundo ele, seriam histórias orais, em sua origem, nas quais as figuras centrais são seres sobre-humanos ou divinos – como as epopéias gregas que deram origem à literatura ocidental.

“O testemunho transmitido por tradição oral nos primeiros séculos têm um peso decisivo, que não pode ser descartado”, pondera Susin, da PUC-RS. Mas Veitch, em The birth of Jesus: history or myth, afirma que Jesus foi basicamente um bom judeu que fez o melhor de si para apresentar Deus a seus contemporâneos, e teria sido Saulo de Tarso – que ficou conhecido posteriormente como Paulo – o responsável pela disseminação do cristianismo e pela divinização de Jesus. “Foi o grupo que catequizou Paulo que colocou a ressurreição como elemento central da cristandade de Jesus. E Paulo, um judeu helenizado, que falava grego e vivia em cidades, soube dialogar com outras culturas não judaicas, disseminando o cristianismo”, confirma Chevitarese.

A literatura de ficção, a exemplo de alguns teólogos e historiadores, também explora um lado mais humano e menos divino de Jesus. Entre os vários exemplos, estão O evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago, e A última tentação de Cristo, de Nikos Kazantzakis, este último adaptado para o cinema por Martin Scorsese. Ambos exploram uma relação amorosa que Cristo teria tido com Maria Madalena e que não aparece nos Evangelhos. No recente best-seller O código Da Vinci, de Dan Brown, a protagonista Sophie, neta do diretor do Museu do Louvre, em Paris, descobre ao final da trama, ser uma descendente direta da linhagem iniciada na relação entre Jesus e Madalena.

Sobre essa suposta relação, a historiadora da Unicamp Eliane Moura Silva observa que há muita coisa escrita no gênero romance. Os autores vão desde grupos que repensam esta questão como uma tradição paralela que a Igreja nega ou esconde, para justificar o celibato dos padres, até grupos feministas que querem rever a questão do celibato e da ordenação feminina. “Alguns autores, como Saramago, buscam, nessa relação sensual e amorosa, recuperar o Cristo humano submetido ao comum que é a marca da vida de homens e mulheres. Não há muito que comprove nada disso do ponto de vista de documentação de ‘época’”, diz.

Para Susin, pesquisador da PUC-RS, a leitura preconceituosa da história da cristandade pintando Madalena como uma mulher pecadora não condiz com os textos dos Evangelhos, nos quais ela aparece como uma discípula proeminente. “Mas disso passar a ser a relação íntima de Jesus, é tocar na imaginação, no desejo e na inquietação, o que é uma sacada de mercado”, diz Susin. “O autor consegue incluir um elemento deixado à sombra numa cultura patriarcal: a mulher, a sexualidade no coração da espiritualidade, a relação de gênero”, completa.

Se os historiadores e arqueólogos não podem dizer nada a respeito do grau de intimidade na relação entre Madalena e Jesus, é possível pelo menos fornecer pistas sobre o homem que ele foi. Chevitarese menciona escavações arqueológicas que encontraram restos de um teatro grego datado de 20 d.C. em uma cidade a 6 km de Nazareth, onde Jesus nasceu, chamada Séforis, na qual ele provavelmente trabalhou na mesma profissão de seu pai, como carpinteiro. O pesquisador da UFRJ lembra uma palavra muito usada por Jesus – hipócrita, que em grego significa “ator de teatro” ou “aquele que usa máscara” – para levantar a hipótese de que ele não era um matuto, mas um homem urbano que teve contato com a cultura helênica em Séforis, próxima à sua cidade natal. Mais um aspecto que, de certa forma, permite relacioná-lo com o Ulisses das epopéias literárias.

Fonte : Portal ComCiência

http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:XdxL_NSe15EJ:www.comciencia.br/reportagens/2005/05/04.shtml+andre+chevitarese&cd=7&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

domingo, 5 de dezembro de 2010

Jesus, Zeitgeist e o mito de Hórus


Tentei publicar, da forma convencional, um vídeo bem interessante onde Chris Forbes, historiador australiano responsável pelo Departamento de História Antiga da Macquarie University, contesta algumas bobeiras ditas a respeito de Jesus Cristo em alguns filmes bastante populares, mas também completamente fantasiosos, como o famoso Zeitgeist .Dentre as inúmeras besteiras conspiratórias defendidas na película virtual, existe a tese de que Jesus Cristo seria um mito meramente copiado, e devidamente adaptado, da antiga mitologia egípcia de Hórus,considerado o deus-céu.
Como sou completamente burro em assuntos blogueiros, nem sei se estou fazendo de maneira correta. Só sei que o simples processamento deste vídeo está demorando algo em torno de quatro horas ! Como tenho mais o que fazer, estou colando, abaixo, o link do referido vídeo no youtube. É bem rápido, dura em torno de seis minutos. No entanto, é bastante esclarecedor.

Assistam !

http://www.youtube.com/watch?v=wfhPhmpki1k&feature=related




PS : Desabafo. Saudade da minha defesa de tese no Mackenzie. Jamais pensei que uma simples análise no presbitério seria tão " punk " como foi ontem. Detalhe; ainda não acabou ! No próximo sábado ainda tem mais tortura..rss :(

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A ausência de Deus, por Simone Weil.


"Deus brilha, no sentido mais positivo do termo, por sua ausência". Isso não é negar ou anular a Deus. Isso é respeitar a Deus. Ou melhor, "deixar Deus ser Deus".


Simone Weil, filósofa francesa .

sábado, 27 de novembro de 2010

Desabafo e uma breve parada...


Pensei muito antes de escrever este breve post. Relutei. Poucos dos meus escassos seguidores me conhecem pessoalmente. Alguns sãos meus amigos, outros, pensei que fossem, mas, infelizmente, não se comportaram como tal. Tudo bem, já estou acostumado, pois não nutro a ingênua e ilusória crença na bondade humana. Mas não deixa de ser decepcionante quando uma pessoa que você preza se recusa a falar com você, responder um simples e-mail, isto é, te ignora solenemente mesmo sabendo o momento drástico que você está vivendo !

Tenho 35 anos de vida. Já passei por várias situações drásticas. No entanto, a atual beira o desespero . Sabe quando todos os seus sonhos desmoronam de uma vez ? Então, esta é minha atual situação. Mas, não vou entrar em detalhes. Pretendo poupar a pessoa que está lendo de detalhes particulares de minha vida.

No meio de tantas perdas, vem a pergunta; Deus existe ? Tenho absoluta convicção que sim ! Não fosse esse suposto " amigo imaginário", acho que não estaria aqui para escrever estas palavras. Senti, nos últimos dois dias, uma vontade de cometer o ato pensando por Bonhoeffer na prisão de Buchenwald. Obviamente, não quero me comparar ao grande mártir cristão, mas a angústia que toma conta de todo meu ser é muito grande.

Os poucos leitores deste blog notaram que faz um bom tempo que não escrevo nada. Além dos afazeres do curso e do trabalho, minha atual situação psicológica não me permite produzir um texto minimamente razoável. Como não sou muito fã em copiar textos de terceiros, quero poupar meus leitores de textos sem qualidade. Não gosto de escrever qualquer coisa.

Portanto, agora, de forma oficial, vou dar uma breve sumida, isto é, se algo pior não acontecer. Peço aos meus leitores crentes, irmãos de fé, que orem por minha vida. Aos que em nada crêem, mas me admiram, uma simples torcida e uma palavra de carinho cairiam muito bem.

Soli Deo Gloria

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Auto-Retrato Bíblico


Jó 3
Jó amaldiçoa o seu nascimento

1 Depois disto, passou Jó a falar e amaldiçoou o seu dia natalício.

2 Disse Jó:

3 Pereça o dia em que nasci

e a noite em que se disse:

Foi concebido um homem!

4 Converta-se aquele dia em trevas;

e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele,

nem resplandeça sobre ele a luz.

5 Reclamem-no as trevas e a sombra de morte;

habitem sobre ele nuvens;

espante-o tudo o que pode enegrecer o dia.

6 Aquela noite, que dela se apoderem densas trevas;

não se regozije ela entre os dias do ano,

não entre na conta dos meses.

7 Seja estéril aquela noite,

e dela sejam banidos os sons de júbilo.

8 Amaldiçoem-na aqueles que sabem amaldiçoar o dia

e sabem excitar o monstro marinho.

9 Escureçam-se as estrelas do crepúsculo matutino dessa noite;

que ela espere a luz, e a luz não venha;

que não veja as pálpebras dos olhos da alva,

10 pois não fechou as portas do ventre de minha mãe,

nem escondeu dos meus olhos o sofrimento.

11 Por que não morri eu na madre?

Por que não expirei ao sair dela?

12 Por que houve regaço que me acolhesse?

E por que peitos, para que eu mamasse?

13 Porque já agora repousaria tranquilo;

dormiria, e, então, haveria para mim descanso,

14 com os reis e conselheiros da terra

que para si edificaram mausoléus;

15 ou com os príncipes que tinham ouro

e encheram de prata as suas casas;

16 ou, como aborto oculto, eu não existiria,

como crianças que nunca viram a luz.

17 Ali, os maus cessam de perturbar,

e, ali, repousam os cansados.

18 Ali, os presos juntamente repousam

e não ouvem a voz do feitor.

19 Ali, está tanto o pequeno como o grande

e o servo livre de seu senhor.

20 Por que se concede luz ao miserável

e vida aos amargurados de ânimo,

21 que esperam a morte, e ela não vem?

Eles cavam em procura dela mais do que tesouros ocultos.

22 Eles se regozijariam por um túmulo

e exultariam se achassem a sepultura.

23 Por que se concede luz ao homem, cujo caminho é oculto,

e a quem Deus cercou de todos os lados?

24 Por que em vez do meu pão me vêm gemidos,

e os meus lamentos se derramam como água?

25 Aquilo que temo me sobrevém,

e o que receio me acontece.

26 Não tenho descanso, nem sossego, nem repouso,

e já me vem grande perturbação.